quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

|ruminação primeira: sentido. significação. razão de ser. qualquer um dos gêneros serve. nenhum deles encontrados até o momento. recebo. troco por desajuízo em ótimo estado de conservação.

|ruminação segunda: tentativas. vãs. com relação a alguém que na verdade não tem nada a ver. não sabe. deve confiar em um bom senso não característico meu. enfim, batendo a cabeça numa parede de concreto que decerto ri da minha cara escangalhada.

|ruminação terceira: a ingenuidade me faz crer em pessoas que existem para certos fins e esta esperança inútil e babaca não combina com o cidadão eficientemente sociável. lutar contra o impulso insistente da babaquice ingênuo-esperançosa.

|ruminação quarta: como me livrar de uma vida amarrada até ao mais ínfimo átomo a um sistema que funciona há vinte e um anos num ritmo incessante?

|ruminação quinta: perdoa-me: pelos palavrões, pela falta de humildade, pela carência de vergonha na cara, pela falta de sinceridade com os outros que magoei, pela vontade efêmera de matar - sejam insetos, impulsos, desejos, pessoas - pelo mau jeito com as palavras, pela exigência exacerbada de tudo.

|sexta e última: quanto tempo ainda? quanto tempo ainda? quanto tempo ainda?
Hoje descobri que sentar numa calçada, atrás de uma igreja, por volta das dezoito, num dia nublado preto (não cinza), já meio chovendo, com um agasalho de moletom azul, cabeça coberta pela toca do agasalho de moletom azul, calça jeans padrão classe média, all star preto em bom estado, uma sombrinha não aberta, chorando meio fugida de casa porque sua mãe fala um monte de bosta que tem a ver com um monte de bosta que já te leva a tomar uma porrada de remédios, as pessoas parecem te interpretar como uma grande ameaça ao quadro geral.
Aí eu fiquei meio sem saída: sem ninguém pra abraçar, sem vontade de sair dali, chorando do mesmo jeito doente, colapsando embaixo de uma árvore e sendo erroneamente interpretada como uma ameaça drogadita.
O mundo é pateticamente cruel.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Vinte e duas horas e cinqüenta e sete minutos.
Sem arredondar.
Isso definitivamente não quer dizer vinte e três horas.
Vinte e um anos.
Quando me olham com pena. Ô meu deus.
Eu deveria estar aproveitando algo de vinte e poucos a essas horas.
Mas simplesmente não quero (não consigo, segundo a psicóloga).
Eu dei pra expor as minhas fraquezas assim.
As seqüelas, as auto-agressões recentes, o lado negativo e o mau-humor.
Se ajudou no processo até agora eu tô cagando pra isso.
É pura catarse, como diriam alguns.
Idiotice, segundo mim.
Deixei de ter as minhas pequenas certezas doentias nos últimos tempos.
E sabe o que quero fazer? Matar a porcaria da minha iniciativa.
Ela é uma grande bosta.
Eu deveria ter comido cada fio de cabelo que arranquei, até que algum deles, dotado de uma inteligência sarcástica se auto-enrolasse ao meu intestino me provocando um revertério e pimba! Ou pluft!
Não, eu nem colecionei eles num vidrinho pra escrever um livro depois.
Meu ódio é praticamente todo só pra mim. De verdade, do fundo do meu coração.
É um privilégio particular.
Eu me odeio até amando.
É...
Fogo.
As porcarias dos remédios não estão funcionando.
Custam caro e eu resisto bravamente. ¬¬
Teoricamente eu deveria estar dormindo.
Teoricamente não deveria falar certas coisas, escrever ou tanto faz.
Mas isso faz parte da parte ruim de ser mim.
¬¬
Não quero que o mundo se exploda, ninguém tem nada com minhas crises.
Eu só queria virar pó.
Não sentir mais nada.
E esquecer que um dia eu dei chances a mim, pra sofrer aos poucos em crises de insônia.
Idiota!
A coisa mais legal do dia: ecodopplercardiograma! Mágico! o.O

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

1 miligrama.
Vinte e uma horas e quinze minutos.
Quarenta e cinco adiantada.
Blackout. Cortinas.
Off.
Tá. Não adianta.
Concentra. Melhor, não concentra.
Não controla.
Relaxa. NÃO.
Odeio essa ordem. Pessoas insensíveis ou medíocres ou simplesmente sem opinião.
Esquece.
Foco.
Levanta.
A voz sussurra: "Levanta e vai lá".
Fui.
Aí eu te, ou me, ou nem, pergunto: "Existe?"
Fuck.
(...)
Fuck!
Uma hora da manhã.
Porcaria de miligrama inútil.
Porcaria de voz sussurrante.
FUCK!
Ana Karênina.
rs.
fuck?
Anyway.
Onze horas: terapia!
fuck!

*todos os fucks foram necessários. To-dos!
Quando você captar aquele quê vazio meio molhado no fundo dos meus olhos, entenda.
Entenda apenas que é simples.
É simples como não ser nada e esperar que você, os outros ou ninguém passe...
Assim como todas as horas.
Até que tudo passe e acabe como deve ser.
Inevitavelmente.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

À medida que crescemos nossos monstros vão assumindo novas formas. Hoje tenho medo de, tão logo apague a luz, não adormeça.
Sei que o monstro, atualmente, prefere morar em mim à escuridão sob minha cama.
Ele costuma ter insônia.
Descobri, por exemplo, que não gosto do fato de meu monstro particular ser mais frágil que eu.
Não consigo consolá-lo a contento.
Ele mais me irrita que amedronta.
O monstro que, agora, mora em mim, também é mulher.
Ótimo! [¬¬]

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Gostaria de ter razão nas coisas que sinto.
Mas, as coisas mais simples, perderam-se.
Minha razão foi amputada.
Estou parada num caminho que não quero.
Mas meus quereres são equivocados.
Então divido-me entre aproveitamento de tempo disponível e covardia.
Eu gostava mais quando podia dormir acreditando nas minhas
verdades ilusórias. Elas me confortavam.
Isso, agora, é simplesmente permanecer cronicamente vivo.
Deve ter havido um momento na minha vida em que eu apenas vivia.
Hoje, faço planos sobre o assunto.
Ilusórios, é verdade.
Hoje, me pergunto se vale à pena.
Respondem-me: miligramas ao café-da-manhã.
Deve ter havido um momento, enquanto eu dormia provavelmente, em que me perdi.
Só que não sou o joãozinho da história.
E ser feliz pra sempre não é um bom final pra ser sincera.
A vida é mesmo cruel.
Sempre experimentamos os dois lados.
Na mesmíssima medida.

segunda-feira, 19 de março de 2007

Existe muita coisa que precisa ser dita.
Por hábito (mau hábito?), não direi um quarto do mínimo necessário.
Passarei mais um tanto de tempo pensando que poderia ter dito.
Até que, num dia (feliz?), esta constante diminua em cinqüenta por cento (ou mais) e já não ocupe tanto espaço.
Ok.
Percebe-se que não me tornei um pouco mais objetiva desde a última vez.
Não que eu esperasse por isso.
Tá bom.
Fatos.
Passei alguns dias no lugar em que mais me sinto bem.
Revi minha família, amigos, lugares...
Bem, (e isso era esperado) "surtei" assim que coloquei os pés no caminho de volta.
Nunca havia duvidado da minha total incapacidade para lidar com toda essa enxurrada de sentimentos que está regendo o meu ritmo agora.
E não me espanta o fato de sentir-me, cada dia um pouco mais, uma completa estranha.
A novidade agora é o fator somatização.
Apesar de velha companheira, acho que me dei conta disso um pouco tarde (Duh!).
Dei-me conta de várias outras coisinhas que emperram meu ajuste à condição "estar aqui".
Após tantos momentos de luz, glória e êxtase, declinei aceleradamente.
Pasmem ou não, sem titubear! (Oh!)
Mas por um motivo razoável...
Encontro-me então diante da busca por respostas (clichê) pra perguntas do tipo: Por que certas coisas acontecem quando não estão dentro do esquema normal de operação e bagunçam com a situação adaptativa para qual não existia momentos de angústia, terremotos emocionais e frustração?
Ás vezes eu preferiria que as pessoas dissessem à que vêm...
E que ficassem um pouco mais...
Do menos de um quarto inútil que digo, ainda falta um tópico.
Aquele em que, diante de mim, arremesso: sua idiota!
OK.
Sua idiota, da próxima vez não pense, porque você definitivamente não é boa nisso.

P.S.: Longe, é um lugar que existe.