terça-feira, 2 de setembro de 2008

Tempo e Distância

Dia em que pensei: no fundo, isso é destino... E é tão sutil... Como deveria mesmo ser.
É de repente: todos com o mesmo aspecto martelante em cena na vida.
E aí, quando todos eles, partes da minha vida, se aproximam a me perguntarem, entendo algumas coisas.
Tempo.
“Isso está em segundo plano!”
“Pois é, foi embora...”
Também eu vivia a repetir isso, até outro dia atrás... Assim como hoje digo que é agora, agora e agora... Precisa ser agora.
Com o tempo aprendi que ele não está lá... Que é mentira.
E, talvez, não tenha sido ele quem, de fato, me ensinou. Pode ter sido a distância, o pânico de despedidas. Nunca se sabe.
Distância.
Maurício, dia desses, chegou em casa com panfleto de concurso de poesias.
“Escreve alguma coisa aí!” (algo assim).
Tema livre. Virou brincadeira.
“Pensa em um tema!”
“Despedida” (eu disse).
Saiu merda.
Mas me fez pensar um pouco mais (Penso em qualquer coisa. Tudo com séria responsabilidade. Mania besta).
Pensei: quando a gente tem prazo é outra história. Quando a gente percebe que aquele tempo programado, pluft! Desaparece! Resta fazer o que der, do jeito que for e der, porque... Bem... Depois? Seremos outros. Outros planos, outros sentimentos, outros... Um pouco estranhos, um pouco os mesmos, mas essencialmente outros.
E aí, distância, despedida, me ensinaram: agora, agora, agora...
Meu sobrinho de dois anos também me ajudou nisso. Só hoje ele me chama de “Manãna” e me dá um beijinho de esquimó quando acorda do meu lado e diz “denguinho!”. Só hoje ele cabe em meu colo. E mesmo assim, às vezes, só me lembrava disso nos dias de febrão!
Então agora quero tudo do jeito que der pra ser agora. Seja bom ou ruim.
Enxaqueca e depressão também, na real, ensinam: agora eu vomito. Agora eu sei que já perdi e que faz parte de mim este pedaço que falta, mas... Ainda tem o outro!
Tempo, distância, despedida, sobrinho, enxaqueca, depressão.
Todos com o mesmo tema.
Primos, amigos, (meu deus como referir-me aos meus rolos?) Eles.
Mãe, pai, irmãos, meio-irmãos.
Isso é destino mariana. Estava aí o tempo todo.
Eu sei. Mas, só agora, dei-me conta.
Agora.
Isso foi a psicóloga quem me ensinou (risos)... Continua ensinando... A última também foi algo do gênero.
“... é... existem pessoas assim mesmo... que se perdem a perguntar pra quê que a gente faz tanta coisa na vida: come, trabalha, estuda, dorme, faz isso todo dia até se aposentar, ou não. E essas pessoas geralmente acabam esquecendo de viver as coisas do meio pra tentar descobrirem porque querem fazer isso ou não.”
(psicóloga tentando me ensinar a não queimar etapas... Não mais. Não fugir... ensinando-me que meus objetivos não têm somente início e fim.)
Isso é destino. São as pessoas finalmente aparecendo mais claramente à mim.Sou eu, só agora, pronta pra tentar me aproximar um pouco mais.
E quando escuto: “Sabia que sinto tua falta?” chego a pensar em acreditar, só pra experimentar que a outra parte, a que sobrou, existe. Realmente acreditei por seis anos que não.
Por mais que tudo isso seja agora... (e pode não ser daqui a um tempo) ... É tão bonito. Tão sutil como deveria mesmo ser.

Ah! Aquilo, que não se preocupem juízes, não participará do concurso de poesias:


DESPEDIDA

Medir e Pesar.
Às pressas, dei-me conta:
Não há tempo.
Não há embalagens para a vida.

Medir, a distância.
Pesar, a dor.

Deixar um pedaço.
Pelo meio.
Dei-me conta: Levarei um espaço vazio.
Porque não há escolha: Ele agora faz parte.

Dei-me conta de que acreditei no tempo.
E ele me ensinou a chorar.

Dei-me conta que aprendi a acreditar em outras coisas.
À conjugar tempos.
Acredito que o medo passa.
Que antes o medo à distância.

Porque no fim, na despedida
O que resta: somente Pesos e Medidas.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

CARTAS NÃO ENVIADAS Nº. 01

Oi.
Por que resolvi escrever?
Escrevo porque estou agoniada.
Por que começo me explicando?
Não sei, nada disso faz sentido.
Acredito que este papel lhe desperte no mínimo certa curiosidade inicial.
Creio também que certo enfado depois do susto.
Mas, sinta o que lhe aprouver, não tenho direito sobre isso.
O assunto?
Sei lá... Quer falar sobre pingüins?
Pingüins são interessantes...
Você acredita em destino?
Não sei bem ao certo se sim.
Às vezes a insônia me obriga a conviver um pouco mais comigo e então fico pensando em coisas que não gosto de mexer.
Pensar em destino me faz pensar em você.
Então pensei em te perguntar.
Você se pergunta por que as pessoas se encontram?
Pergunto-me quão irresponsável sou por não ir até o fim.
Pergunto-me se um dia conseguirei fazê-lo.
Eu empurrei você pra dentro da minha confusão.
Talvez você nem tenha se importado, não tenha isso mais em conta atualmente.
Gostaria que você soubesse que para mim é importante.
No fundo foi por isso que escrevi.
Poderia ter falado sobre os pingüins...
Mas isso eu poderia falar para qualquer pessoa.

Se você chegou até aqui...
Saudade.

sábado, 9 de agosto de 2008

Desejo voltar a ser uma pessoa que não vai mais aparecer.
Que se perdeu com as minhas voltas, que escorreu com as lágrimas de muitos dias seguidos, que finalmente cansou de acreditar.
Há dias que finjo que não sei.
Finjo que posso.
Mas sei que não.
Sei que aquele " mim" não irá bater à minha porta na madrugada e que também não me telefonará dizendo que sempre estará ali, à espera de que eu esteja pronta novamente.
Não.
Não volta.
E não... não dá pra fingir todos os dias.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Deseja realmente excluir?

Coisas guardadas.
Melhores assim.
Não...
Coisas guardadas tomam, com o tempo, outras feições, mas não permanecem onde deveriam.
Nada de Freud por ora, apenas uma constatação óbvia das mancadas cotidianas.
Coisas inacabadas...
Tenho uma coleção delas. Algumas nem mesmo de fato existiram.
No roll daquelas com que tive um pouco mais de zelo, três no máximo, uma em especial teima em detalhes sutis.
E mesmo com um quê de desconfiada fico a brincar com nuvens no ar.
Como que cuidando para que não se dispersem demais. Para que fiquem um pouco mais.
E perco horas a me perguntar sobre aquelas pequenas coincidências.
Chega a ser patético o modo como essas intrusões da memória, esperançosas, despertam aquela vontade ingênua de acreditar em destino.
E por que não? [rs]
Duas frases e um olhar.
Teimo em não acreditar em palavras.
E olhares... bem... eles podem dizer o que quiserem sem necessariamente se explicarem.
É assim que acabam, todas elas, voltando às coisas inacabadas guardadas em algum lugar de mim.
Toda vez, a mesma coisa.
Toda vez o pop up pergunta relutante:
“você tem certeza?”.
Você tem certeza que deseja excluir?
É tragicômico! Mas sempre acabo agradecendo o fato de não poder dar descarga em coisas guardadas na saudade.
Elas devem estar ali por algum motivo...
... E mesmo que não...
Vou continuar tentando guardá-las...
Por via das dúvidas.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

sobre: domingo

domingo resolvemos almoçar fora.
pérola: a família resolveu sair.
pitanga: churrascaria.
reflexão de domingo:
churrascarias fazem com que minhas palpitações aumentem.
churrascarias são ansiosas. elas têm uma dinâmica ansiosa. percebam como as churrascarias funcionam ansiosamente. é... desesperador!
churrascarias são locais em que se come algo que rodou por todo o ambiente e que pula em seu prato de uma forma esquisita.
eu não gosto de churrascarias. eu como carne vermelha por prescrição médica!

quarta-feira, 18 de junho de 2008

mais que diferente, estranha.
mais estranha.
estranha, mas mais entranhas.
desentendível como sempre.

isso aqui ainda é meu?
pela falta de cuidado, diria que sim!
obviamente sim.
dentre tudo, meu blog sobrevive à minha inconstância.

sinto que perdi o jeito para escrever.
pelo menos o jeito que eu acho que fica melhor.
mas vivo insistindo em deixar rascunhos em bloco de notas.
nunca mais os publiquei.

sinto que preciso desenvolver isto novamente.
escrever era a melhor parte em ser eu.
e está indo embora.
não quero.

houve dias, há cinco anos atrás, em que pensava em fazer Jornalismo.
ainda penso nisso... mas não com tanta paixão.
com muita preguiça de fato.
hoje estou há cinco anos fazendo psicologia.
procuro não pensar muito nisso, mas é impossível.
tenho muito medo do fato.
sou uma péssima quase psicóloga.
mas irei até o fim.
apesar da preguiça, de fato...

tenho sido uma pessoa preguiçosa de ser pessoa.
isso prejudica o fato ser quase psicóloga.
prejudica o fator paixão por jornalismo ou qualquer outra coisa.
mas, sei lá, mesmo com tanta confusão aqui dentro,
sinto que nunca estive tão perto de alcançar alguma coisa
que sei que espero, mas não sei o que é.

talvez seja paz, talvez não seja nada.
talvez eu tenha perdido o controle.
e isso no meu caso seria um aspecto positivo.