Dia em que pensei: no fundo, isso é destino... E é tão sutil... Como deveria mesmo ser.
É de repente: todos com o mesmo aspecto martelante em cena na vida.
E aí, quando todos eles, partes da minha vida, se aproximam a me perguntarem, entendo algumas coisas.
Tempo.
“Isso está em segundo plano!”
“Pois é, foi embora...”
Também eu vivia a repetir isso, até outro dia atrás... Assim como hoje digo que é agora, agora e agora... Precisa ser agora.
Com o tempo aprendi que ele não está lá... Que é mentira.
E, talvez, não tenha sido ele quem, de fato, me ensinou. Pode ter sido a distância, o pânico de despedidas. Nunca se sabe.
Distância.
Maurício, dia desses, chegou em casa com panfleto de concurso de poesias.
“Escreve alguma coisa aí!” (algo assim).
Tema livre. Virou brincadeira.
“Pensa em um tema!”
“Despedida” (eu disse).
Saiu merda.
Mas me fez pensar um pouco mais (Penso em qualquer coisa. Tudo com séria responsabilidade. Mania besta).
Pensei: quando a gente tem prazo é outra história. Quando a gente percebe que aquele tempo programado, pluft! Desaparece! Resta fazer o que der, do jeito que for e der, porque... Bem... Depois? Seremos outros. Outros planos, outros sentimentos, outros... Um pouco estranhos, um pouco os mesmos, mas essencialmente outros.
E aí, distância, despedida, me ensinaram: agora, agora, agora...
Meu sobrinho de dois anos também me ajudou nisso. Só hoje ele me chama de “Manãna” e me dá um beijinho de esquimó quando acorda do meu lado e diz “denguinho!”. Só hoje ele cabe em meu colo. E mesmo assim, às vezes, só me lembrava disso nos dias de febrão!
Então agora quero tudo do jeito que der pra ser agora. Seja bom ou ruim.
Enxaqueca e depressão também, na real, ensinam: agora eu vomito. Agora eu sei que já perdi e que faz parte de mim este pedaço que falta, mas... Ainda tem o outro!
Tempo, distância, despedida, sobrinho, enxaqueca, depressão.
Todos com o mesmo tema.
Primos, amigos, (meu deus como referir-me aos meus rolos?) Eles.
Mãe, pai, irmãos, meio-irmãos.
Isso é destino mariana. Estava aí o tempo todo.
Eu sei. Mas, só agora, dei-me conta.
Agora.
Isso foi a psicóloga quem me ensinou (risos)... Continua ensinando... A última também foi algo do gênero.
“... é... existem pessoas assim mesmo... que se perdem a perguntar pra quê que a gente faz tanta coisa na vida: come, trabalha, estuda, dorme, faz isso todo dia até se aposentar, ou não. E essas pessoas geralmente acabam esquecendo de viver as coisas do meio pra tentar descobrirem porque querem fazer isso ou não.”
(psicóloga tentando me ensinar a não queimar etapas... Não mais. Não fugir... ensinando-me que meus objetivos não têm somente início e fim.)
Isso é destino. São as pessoas finalmente aparecendo mais claramente à mim.Sou eu, só agora, pronta pra tentar me aproximar um pouco mais.
E quando escuto: “Sabia que sinto tua falta?” chego a pensar em acreditar, só pra experimentar que a outra parte, a que sobrou, existe. Realmente acreditei por seis anos que não.
Por mais que tudo isso seja agora... (e pode não ser daqui a um tempo) ... É tão bonito. Tão sutil como deveria mesmo ser.
Ah! Aquilo, que não se preocupem juízes, não participará do concurso de poesias:
DESPEDIDA
Medir e Pesar.
Às pressas, dei-me conta:
Não há tempo.
Não há embalagens para a vida.
Medir, a distância.
Pesar, a dor.
Deixar um pedaço.
Pelo meio.
Dei-me conta: Levarei um espaço vazio.
Porque não há escolha: Ele agora faz parte.
Dei-me conta de que acreditei no tempo.
E ele me ensinou a chorar.
Dei-me conta que aprendi a acreditar em outras coisas.
À conjugar tempos.
Acredito que o medo passa.
Que antes o medo à distância.
Porque no fim, na despedida
O que resta: somente Pesos e Medidas.
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Um comentário:
Mariana, olha lá meu blog. Escrevi um post para você. Tá na data de hoje, domingo.
Beijos e namarië
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